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Página de doutrina Batista-Calvinista. Cremos na inspiração divina, na inerrância e infalibilidade das Escrituras Sagradas; e de que Deus se manifestou em plenitude no seu Filho Amado Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, o qual é a Segunda Pessoa da Tri-unidade Santa
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A URGÊNCIA DE DEUS

Pr. Júlio César de Salles

Por causa de nossa natureza totalmente caída, não conseguimos avaliar a urgência do tempo de Deus, tanto em nossas vidas como na vida das pessoas que estão em nosso arredor. Confundimos o urgente com aquilo que julgamos ser mais importante e conseqüentemente sacrificamos o eterno no altar do temporal. O apóstolo Paulo nos diz em Efésios capítulo 5 verso 16: “Remindo o tempo, porquanto os dias são maus”. Deus não deseja que assumamos o espírito de agitação de nossos dias e passemos a viver um estilo de vida apressado, como se estivéssemos apagando focos de incêndio a todo o momento, mas que tenhamos uma atitude de viver em paz com todos os homens. Temos a plena certeza que em nenhum momento o apóstolo Paulo está nos pedindo para sermos mais espertos em nossas tarefas, ou que façamos todas atividades em uma velocidade maior, muito menos nos ensinando que temos de possuir uma agenda pessoal. Seguir uma agenda é muito importante, mas aqui neste texto Deus nos conclama a viver atento no que se refere à falência espiritual em que as pessoas vivem ao nosso arredor. Não é também buscar uma espécie de criatividade usando métodos atraentes deste mundo para proclamar o Evangelho, e nem de aproveitar os problemas que as pessoas sofrem para apresentar um evangelho social, o qual somente resolverá suas causas momentâneas. Não devemos ser pragmatistas.
Tomemos, como exemplo, o profeta Jeremias que foi tentado a pregar um evangelho que agradasse aos seus ouvintes. O contexto do livro nos mostra que os caldeus já estavam invadindo Judá, para levá-los cativos à Babilônia, debaixo do decreto permissivo e disciplinar de Deus. Não havia mais jeito! Os judeus não deram ouvidos à palavra de urgência de Deus enviada pelos seus servos, os profetas. As aldeias haviam sido queimadas, crianças estavam sendo mortas a fio de espada, mulheres sendo estupradas na frente de seus maridos, e o templo de Salomão sendo saqueado pelos babilônicos. O povo não prestou atenção no tempo da urgência de Deus. Estavam apressados, em fuga, mas não urgentes com a mensagem vinda de Deus por intermédio de Jeremias. Há uma grande diferença na pressa humana e na urgência de Deus. Deus ensinou esta grande diferença através da vida de Jeremias.
O próprio Jeremias foi chamado por Deus antes da fundação do mundo (Jr 1:5-8). Mostrando que o tempo de Deus é diferente do tempo do homem. Que Sua urgência não está presa a métodos humanos. Foi ameaçado de morte, por pregar uma palavra que não apoiava aquela pressa excessiva de fugir da disciplina de Deus (Jr 11:18-21). Proibido por Deus de se casar e constituir família... Que aproveita criar família, assumindo o estilo da pressa humana, só para ser assassinada na horrível carnificina prestes a desencadear-se sobre os habitantes de Judá?(Jr 16:1-4). Foi também torturado e jogado dentro de uma cisterna, e desreipeitosamente, até hoje é apelidado de "profeta chorão". Quem fala isso é porque nem imagina as cenas horríveis que este profeta presenciou. Seu lamento foi tão grande que chegou a dizer que seus olhos eram como “uma fonte de lágrimas” (Jr 9:1-10).
Em Jeremias no capítulo 32, presenciamos um grande paradóxico entre a urgência de Deus em relação ao desespero apressado da natureza humana. Em face de toda aquela situação de desespero, Deus ordena ao profeta que faça a compra de uma propriedade. Jeremias aqui se encontrava literalmente preso, por haver pregado algo longe da expectativa do povo, a qual era tornar-se livre da invasão babilônica. A palavra de Deus estava sendo cumprida diante do rei Zedequias e de todo o povo. A cidade estava sendo queimada, muitos morrendo de sede e fome. Propriedades, lavouras e campos estavam sendo abandonados por causa da iminente invasão. E no meio dessa confusão aparece Deus ordenando a Jeremias que efetuasse a compra de uma propriedade. Que milagre Deus estava realizando! Este ato de compra deveria ser feito na frente de todos, para mostrar que nosso Deus está acima das situações. Imaginemos como ficou o semblante do rei Zedequias ao ver Jeremias sendo libertado das cadeias pelo poder de Deus, para realizar a compra de uma propriedade. Até mesmo o próprio profeta que, pouco tempo antes, Deus proibira de constituir família, agora estava surpreso com a nova ordem de Deus... Irmãos, quantas vezes ficamos admirados com os supremos feitos de Deus! Os métodos da urgência de Deus estão sempre acima do desespero humano. Jeremias testificou esse milagre divino em sua vida. Observemos alguns aspectos relevantes neste capítulo:
No verso 8 deste mesmo capítulo ele declara “Então entendi que isto era a palavra de Deus”. Jeremias obedeceu reconhecendo a urgência de Deus. No verso 17, ele diz: "nada há que seja demasiado difícil para Ti”. E nos versículos 17 a 21 vemos uma oração de ações de graças entoada pelo profeta. Jeremias não se vangloriou no braço do homem. Devemos reconhecer o livramento da urgência de Deus, e não buscar apoio em métodos humanos.

Versículo 18: "Tu que usas de benignidade com os milhares”. É interesante que até o nome das pessoas e lugares nessa história possuem um significado especial. "Hananel”, significa, “Deus se apiedou”; "Salum” é “retribuição”; e “Ananote” é “orações respondidas”. Como é fantástico ver que tudo foi providenciado para a glória de Deus.
Humanamente falando seria um absurdo realizar a compra de uma Terra diante de uma invasão. Mas Deus queria mostrar através desse ato que, no futuro, o povo judeu voltaria a tomar posse daquela Terra prometida a Israel.
Um pouco mais à frente, no capítulo 37, versos 11 a 13, Jeremias foi solto da prisão e tinha todo o direito de usufruir de seu novo patrimônio. No caminho, ao sair pelos portões da cidade, foi mal interpretado por alguns, que logo o prenderam novamente por acusação de ser um traidor. Aprendemos com este acontecimento que muitas vezes Deus irá nos pedir para abrir mão de nossas vidas e sofrer com as pessoas. "Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1Cor 9:22). "Fez conhecidos os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel” (Sl 103: 7). Não podemos ficar presos somente aos feitos de Deus e nos esquecer de seus caminhos. Jeremias mostrou maturidade, e abriu mão das bênçãos, e se preocupou com as vidas ao seu arredor.
Irmãos, não sejamos incrédulos em assumir a pressa frenética do mundo, correndo de um lado para o outro atropelando e até mesmo machucando as pessoas. Muitas vezes somos tentados a trocar o evangelho da Cruz pelo evangelho do alívio. Roguemos a Deus para que sejamos fiéis como foi Jeremias. Fiéis ao Seu chamado, e a descançar no livramento certo que virá no tempo perfeito da suprema urgência de Deus. Amém!

Resumo da mensagem pregada no T.B.B. em 24 de Agosto de 2008
Todos os versículos são da Almeida Corrigida e Fiel da S. B. T. B. (ACF)

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